Conflitos antrópicos envolvendo primatas neotropicais e a situação de empreendimentos de fauna silvestre no Rio Grande do Sul, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.62015/np.2020.v26.56Palabras clave:
Alouatta, Callithrix, destinação de fauna, manejo de fauna, políticas públicasResumen
As pressões antrópicas sobre a fauna silvestre, como atropelamentos, ataques por cães, eletrocussões, caça e cativeiro ilegal, podem reduzir ou extinguir localmente as populações de primatas. Três espécies de primatas ocorrem naturalmente no sul do Brasil: Alouatta caraya, A. guariba clamitans e Sapajus nigritus cucullatus. Todas as espécies foram acometidas por conflitos antrópicos, tendo indivíduos feridos encaminhados para reabilitação ou cativeiro permanente. O objetivo deste trabalho foi investigar a situação dos empreendimentos de fauna silvestre habilitados a receber e destinar primatas no Rio Grande do Sul. Para tanto, coletamos informações de consulta pública dos empreendimentos constantes no Sistema Online de Licenciamento Ambiental (SOL). Foram analisadas informações sobre os tipos de conflitos antrópicos envolvendo primatas em atendimento emergencial, assim como sua destinação final. Além disso, caracterizamos os primatas neotropicais abrigados nos empreendimentos e a situação de seus recintos de acordo com as normas ambientais. De 2018 a 2019, foram notificados 87 casos de primatas atendidos emergencialmente. A espécie mais registrada em conflitos antrópicos foi A. g. clamitans. Atropelamentos e ataques por animais domésticos mostraram prevalência na morte de indivíduos. Por outro lado, observamos que os animais órfãos apresentaram maior sobrevivência nos atendimentos emergenciais. O cativeiro permanente foi o destino mais frequente entre os sobreviventes envolvidos em conflitos antrópicos. Em 2017, foram contabilizados 408 indivíduos de primatas neotropicais mantidos em Jardins Zoológicos e Mantenedores de Fauna Silvestre. Constatamos que os Mantenedores de Fauna Silvestre são os principais locais de acolhimento de primatas no RS. Os gêneros mais abundantes de primatas abrigados foram Alouatta, Sapajus e Callithrix. Observamos que mais da metade dos recintos está em desacordo com as normas ambientais, com maior incidência de problemas estruturais nos recintos de Alouatta. A circulação de indivíduos do gênero Callithrix, em cativeiro ilegal, foi identificada no sul do Brasil, fora de sua área de distribuição, e representa um risco de invasão biológica.
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