Por que os bugios ruivos se coçam?
DOI:
https://doi.org/10.62015/np.2020.v26.46Palavras-chave:
Coloração do pelo, secreção epidérmica, Alouatta guariba, comportamento, estresseResumo
Este trabalho avaliou o comportamento de coçar em bugios-ruivos (Alouatta guariba clamitans) mantidos sob cuidados humanos no CEPESBI/Projeto Bugio/FURB e relacionou com eventos que antecedem e os comportamentos sucedem o ato de se coçar para verificar suas funções. Para tanto, foram avaliados 26 animais divididos em quatro grupos, conforme o sexo e a faixa etária dos animais (machos adultos, fêmeas adultas, fêmeas juvenis e machos juvenis). Os comportamentos foram registrados pelo método de todas as ocorrências. Foram realizadas 7 observações amostrais para cada animal. Obteve-se 364 horas amostrais com 300 minutos e 3,042 instantes de comportamento de se coçar. Observou-se que bugios adultos se coçam mais do que juvenis. Ruídos externos ao recinto foram os principais eventos que antederam os episódios de coceira. Os animais adultos utilizaram mais as mãos para se coçar do que os pés e a cauda. Esta preferência não foi observada nos juvenis. Todos os animais direcionam o olhar para longe durante o ato de se coçar, comportamento, este, mais evidente nas fêmeas adultas quando um evento externo ao recinto antecedeu o ato de se coçar. Todos estes achados podem indicar que o ato de se coçar pode significar que o animal encontra-se sob estresse ou em alerta. Observou-se ainda que após o ato de se coçar os bugios permaneceram mais vezes em descanso ou em locomoção. Não pudemos determinar se o ato de se coçar pode indicar mudança eminente de comportamento, como já demonstrado em outros primatas, pois não foram registrados todos os comportamentos que antecederam o ato de se coçar. A parte do corpo mais coçada por todos os animais foi a cabeça, seguida dos membros posteriores e das costas. A região da cabeça, que inclui a face, o crânio e o osso hioide, e das costas são as regiões com maior número de glândulas produtoras de pigmento nos machos adultos e de glândulas produtoras de pigmentos em estágio intermediário nas fêmeas e nos juvenis. Assim, o ato de se coçar pode participar do espalhamento da secreção colorida liberada por estas glândulas para colorir de ruivo o pelo dos animais. Este trabalho demonstrou que, assim como em outros primatas, o comportamento de se coçar é um indicativo de ansiedade e/ou estresse em bugios ruivos mantido sob cuidados humanos. Além disso, como demonstrado em vários trabalhos, este comportamento pode ter múltiplos gatilhos, como perigo, incerteza, mudança eminente de comportamento e também participar do espalhamento de secreção colorida/odorífera pela pele do animal. Para melhor entendimento do comportamento de se coçar em bugios ruivos, estudos complementares se fazem necessários.
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Direitos autorais (c) 2020 Sheila Regina Schmidt Francisco, Aline Naissa Dada, Camila de Jesus Pereira, Zelinda Maria Braga Hirano

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