Condicionamento operante em bugios-ruivos (Alouatta guariba) sob cuidados profissionais no Centro de Pesquisas Biológicas de Indaial – SC (Projeto Bugio/ CEPESBI)
DOI:
https://doi.org/10.62015/np.2024.v30.835Palabras clave:
Bem-estar animal, comportamento animal, modelagem animal, primatas não-humanos, psicologia experimentalResumen
O condicionamento operante com reforço positivo tem sido empregado como ferramenta para o manejo de animais silvestres, por possibilitar a execução de procedimentos de rotina com maior cooperação voluntária. O objetivo deste estudo foi descrever o processo de treinamento de bugios-ruivos (Alouatta guariba) mantidos no Projeto Bugio/ CEPESBI (Indaial, SC), para a pesagem corporal sem contenção física ou contato direto com o pesquisador. Participaram 23 indivíduos (13 machos e 10 fêmeas), submetidos a um protocolo de treinamento em quatro etapas. Na primeira etapa, avaliou-se a preferência entre dois alimentos já presentes na dieta diária: banana com farinha láctea ou ração extrusada. A maioria (n = 17; 73,91%) preferiu a banana como reforçador. Na segunda etapa, o pesquisador treinou o comando “vem”, associado à aproximação e toque voluntário no target, todos bugios executaram o comportamento esperado. Na terceira etapa, o pesquisador treinou o comando “fica” exigindo a permanência do indivíduo no local indicado pelo target. Vinte e um sujeitos (91,3%) atingiram o critério de sucesso (respostas corretas em três repetições consecutivas), sendo os demais (n=2) excluídos da etapa seguinte. Na quarta etapa, o indivíduo deveria permanecer sobre a balança, indicada pelo target. Quatorze bugios completaram todas as fases do treinamento. Foram registradas a latência da resposta, a frequência de respostas reforçadas e não reforçadas. Houve redução progressiva da latência nas etapas iniciais, refletindo o aprendizado. Conclui-se que a metodologia proposta foi eficaz para treinar a pesagem voluntária de bugios-ruivos, respeitando os princípios de bem-estar animal. Ressalta-se ainda a importância de abordagens individualizadas, que considerem diferenças comportamentais e sensoriais para maximizar o sucesso do condicionamento em primatas mantidos sob cuidados profissionais.
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